Washington (AFP) – A disparada dos preços nos Estados Unidos, que tem afetado os consumidores nos últimos meses, deveria diminuir este ano, à medida que se resolvem os problemas de abastecimento e transporte, disse nesta sexta-feira (14) um alto funcionário do Federal Reserve (Fed, banco central americano).O presidente do Fed de Nova York, John Williams, antecipou que prevê uma queda da inflação este ano de 2,5%, mas alertou que a pandemia de covid-19 confronta qualquer prognóstico com uma grande incerteza.Em vista da rápida recuperação e da inflação alta, Williams admitiu que o Fed está “se aproximando de uma decisão” sobre o aumento das taxas de juros.Com a inflação atingindo seu maior nível em quase 40 anos, o Fed já começou a eliminar o estímulo maciço injetado na maior economia do mundo para ajudar em sua recuperação da pandemia.Muitos especialistas agora esperam que o Comitê Federal de Mercado Aberto do Fed (FOMC), que estabelece as políticas monetárias, eleve a taxa básica de juros do zero em março, com três ou inclusive quatro possíveis altas este ano. No entanto, Williams esclareceu que a data dependerá de como a recuperação vai progredir.”Com a desaceleração do crescimento e a resolução gradual das restrições ao abastecimento, espero que a inflação caia a cerca de 2,5% este ano, muito mais perto da meta de longo prazo de 2% do FOMC”, disse em discurso no Conselho de Relações Exteriores.”E olhando mais para frente, espero que a inflação se aproxime de 2% em 2023″, acrescentou.Os principais fatores por trás do aumento dos preços são a alta demanda e os buracos na cadeia de abastecimento devido, em parte, aos bloqueios na Ásia que obstruíram a fabricação de produtos-chave.Embora se espere que a situação se resolva gradualmente, o funcionário do Fed alertou que a pandemia não tem precedentes e que a onda da variante ômicron continua trazendo desafios para as empresas e as famílias.”À medida que viramos uma página no novo ano, está claro que ainda não chegamos ao fim desta história da pandemia”, afirmou.