Câncer de mama supera o de pulmão e se torna o mais comum no mundo

Câncer de mama supera o de pulmão e se torna o mais comum no mundo | Foto: Reprodução/Pixabay

Mesmo com campanhas mundiais alertando sobre os cuidados, riscos e o diagnóstico precoce da doença, o câncer de mama superou, recentemente, o de pulmão ficando em primeiro lugar no ranking mundial em novos casos. De acordo com pesquisa realizada pelo Global Cancer Observatory (GCO), em 2020, foram registrados 2,26 milhões de novos diagnósticos, o que representa 11,7% do total de casos. O câncer de mama é uma doença causada pela multiplicação desordenada de células da mama. Esse processo gera células anormais que se multiplicam, formando um tumor.

O câncer de pulmão ficou em segundo lugar com 2,2 milhões de novos casos. Segundo a oncologista Edla Renata, do Centro de Oncologia, Hematologia e Terapia Biológica (Oncovie), o aumento nos números de câncer de mama é preocupante e mostra ser um alerta importante para o grupo de mulheres que ainda não atentaram para a doença, principalmente na pandemia.

“O que nós estamos detectando é um estágio mais avançado da doença nas mulheres durante a pandemia, ou seja, pacientes que já vêm com nódulo palpável e com receio de ir a um centro clínico para o tratamento. Isso vai se postergando até, infelizmente, alcançar estágios avançados que não têm mais aquela chance de cura que tanto queremos”, explica Dra. Edla.

Apesar de liderar o ranking mundial, o câncer de mama é listado como o quinto que mais mata, ficando atrás do de pulmão, colorretal, fígado e estômago. O exame de mamografia, principal recurso para o diagnóstico precoce da doença na fase inicial, é capaz de identificar nódulos não palpáveis, inferiores a 1 centímetro. Segundo a Sociedade Brasileira de Mastologia (SBM), a orientação é que mulheres entre 35 e 40 anos realizem a mamografia basal e, após os 40 anos, façam o exame anualmente.

Mamografias durante a pandemia

De acordo com a Fundação do Câncer, com base em dados do Sistema Único de Saúde (SUS), a pandemia do Novo Coronavírus trouxe uma redução no número de mamografias realizadas. Segundo pesquisas, houve uma diminuição de 84% de exames feitos. O motivo pode estar no receio das mulheres de sair do isolamento social para procurar tratamento.

Tratamento precoce

De acordo com a oncologista, descobrir a doença o mais cedo possível é o grande objetivo e orientação dos especialistas.

“As sociedades brasileira e americana de oncologia já orientam que algumas mulheres a partir de 40 anos devem fazer mamografias anuais. Esse medo que as mulheres estão tendo atualmente não deveria existir da maneira que está acontecendo. O risco de pegar Covid em clínicas e hospitais chega a ser menor do que em outros lugares onde há maior circulação de pessoas, que não tomam os cuidados contra a contaminação. Muitos profissionais de saúde estão vacinados e, portanto, trazem mais segurança na hora de receber pacientes para os exames. Então, o que eu oriento é que, por favor, façam seus exames de mamografia com rotina. Estamos falando de um câncer que tem um potencial enorme de cura, desde que seja diagnosticado precocemente”, alerta Dra. Edla.

Números do Brasil

Segundo o Instituto Nacional do Câncer (INCA), foram registrados, em 2020,  66.280 novos casos de câncer de mama no Brasil. De acordo com o órgão, foram 18.295 mortes, sendo 18.068 mulheres e 227 homens.

Fatores de risco

De acordo com o INCA, de quatro em cada cinco casos ocorrem após os 50 anos. Há outros fatores de risco, como:

  • Obesidade e sobrepeso após a menopausa;

  • Sedentarismo e inatividade física;

  • História familiar de câncer de ovário;

  • Casos de câncer de mama na família, principalmente antes dos 50 anos;

  • Uso de contraceptivos hormonais (estrogênio-progesterona);

Prevenção

30% dos casos de câncer de mama podem ser evitados com a adoção de hábitos como:

 

  • Praticar atividade física;

  • Alimentar-se de forma saudável;

  • Manter o peso corporal adequado;

  • Evitar o consumo de bebidas alcoólicas;

  • Amamentar

  • Evitar uso de hormônios sintéticos, como anticoncepcionais e terapias de reposição hormonal.