Grupo JBS é acusada de ‘lavagem de gado’

O grupo JBS teria lucrado com gado vinculado ao desmatamento da Amazônia a partir da prática conhecida como “triangulação de gado”, segundo investigação publicada nesta segunda-feira por um consórcio de imprensa.
Fotos divulgadas no Facebook mostram um comboio de transporte de gado de uma fazenda para outra, em julho de 2019, conduzido por motoristas que usavam camisetas com a logomarca da JBS.
As informações constam na reportagem do consórcio formado pelo jornal britânico The Guardian, a ONG brasileira Repórter Brasil, o Disclose e o The Bureau of Investigative Journalism.

O local de onde o gado saiu, Estrela do Aripuana, no Mato Grosso, é objeto de um embargo do Ministério do Meio Ambiente desde 2012 pelo desmatamento ilegal de quase 1.500 hectares.
Isso teoricamente impediria a criação de gado na área, e o proprietário foi multado em R$ 2,2 milhões na época.
Porém, os animais foram transportados para outra fazenda, a Estrela do Sangue, a 300km de distância, essa sem multas ambientais e, portanto, autorizada a criar e vender o gado, em uma prática chamada de “triangulação de gado”.
A evidência em relação à empresa é apresentada em uma postagem feita no Facebook por um motorista da JBS, que comenta sobre o transporte de gado entre as duas fazendas, mencionando os respectivos nomes das propriedades. As informações também foram confirmadas por imagens de satélite.
Entre junho de 2018 e agosto de 2019, segundo o consórcio, dados oficiais registraram que ao menos 7.000 animais foram transportados à fazenda autorizada para a criação.
Outros documentos revelam que essa fazenda enviou aproximadamente 7.000 animais para os matadouros da JBS entre novembro de 2018 e novembro de 2019.
A JBS afirmou em comunicado enviado à Agência France Presse que não compra gado “de fazendas envolvidas em irregularidades”. Também afirmou que adota “uma abordagem de desmatamento zero”, investindo em novas tecnologias para combater o “desmatamento na Amazônia” e a “lavagem de gado”.
A companhia afirmou ainda que as informações mencionadas pela reportagem não refletem os padrões operacionais da empresa. A JBS destacou que iniciou uma avaliação” sobre o assunto.
Essas revelações surgem em um contexto de crescentes objeções europeias à aprovação oficial do acordo de livre comércio assinado entre a União Europeia e o Mercosul.
A relutância se deve ao desmatamento da Amazônia e à política ambiental do presidente Jair Bolsonaro, que defende a abertura de reservas naturais e territórios indígenas às práticas de mineração e agropecuária.

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Foto: AFP