Lotação de UTIs em Fortaleza torna “impossível” transferir pacientes do interior, afirma Dr. Cabeto

O aumento contínuo de casos de Covid-19 no interior do Ceará e em Fortaleza tem acendido o alerta das autoridades sanitárias quanto à capacidade da rede hospitalar pública.

O secretário da Saúde, Dr. Cabeto, durante uma entrevista do Sistema Verdes Mares, afirmou que transferir pacientes de outros municípios para a Capital hoje “não é possível”, já que a segunda onda está atingindo todos os territórios.

O médico e gestor da Sesa explica que, no primeiro momento da pandemia, entre março e junho de 2020, as transferências de infectados pelo coronavírus foram uma estratégia utilizada porque o vírus se espalhou primeiro na capital, e só depois houve o processo de interiorização.

“Agora, isso não é possível, porque temos ondas concomitantes. E isso vai forçar a estrutura do interior. Por isso, recomendamos aos municípios de maior risco que avaliem a capacidade de atendimento, a necessidade de insumos, porque será necessário expandir”, alerta.

Ampliação de leitos

Na última quinta-feira, 18 de fevereiro, a secretaria já havia confirmado, a ampliação do número de Unidades de Terapia Intensiva (UTIs) nos três hospitais regionais do Ceará. Ao todo, serão abertos mais 120 leitos de alta complexidade nos municípios de Juazeiro do Norte (Hospital Regional do Cariri), Sobral (Hospital Regional Norte) e Quixeramobim (Hospital Regional do Sertão Central).

Uma parceria com um grupo privado também pretende injetar mais 60 leitos específicos para Covid no interior do Estado. Apesar disso, Dr. Cabeto ressalta que “não é só com ampliação de leitos que se resolve uma pandemia”, destacando que houve saturação da capacidade de atendimento em vários países.

“Não é preciso só leito: é profissional, equipe, logística de distribuição de oxigênio também. Por isso, precisamos frear a ascensão da curva. É uma grande justificativa pra mantermos medidas restritivas, e isso só é possível com ajuda da população. Nesse momento, cabe um sacrifício de todos”, apela Dr. Cabeto.
Fonte: Diário do Nordeste