Nova York (AFP) – Cerca de cem manifestantes exigiram nesta sexta-feira (14) em Manhattan que seja mantida a moratória contra despejos no estado de Nova York, em vigor desde o início da pandemia de coronavírus.A medida, que foi decretada pelo então governador Andrew Cuomo, tem sido prorrogada regularmente desde então, mas a atual governadora Kathy Hochul quer encerrá-la neste sábado, 15 de janeiro.”Não se pode deixar que uma moratória expire em pleno inverno, durante uma onda de covid (…) Senhora governadora, isso simplesmente não pode acontecer”, bradou Jumaane Williams, candidato ao posto de governador de Nova York.Reunidos em frente à biblioteca municipal, no meio da 5ª Avenida, os manifestantes exibiram faixas e cartazes e gritaram slogans como “ter uma moradia é um direito humano” e “governadora de despejos”, antes que a polícia fizesse algumas prisões.Sarah Lazuy foi protestar pois “amanhã (sábado) é o fim da moratória das expulsões”. Ela considera “inaceitável iniciar um processo de despejo contra 250 mil pessoas no estado de Nova York, em pleno inverno e em plena pandemia”.Se a moratória for realmente suspensa neste sábado, “sabemos que dezenas de milhares de mulheres e menores de cor em Nova York serão expulsos por seus proprietários e ficarão nas ruas”, alertou Brad Lander, controlador financeiro que trabalha para a cidade de Nova York.O ex-governador Cuomo ordenou o adiamento das dívidas de moradia durante o confinamento pela covid-19, quando Nova York era o epicentro mundial da pandemia na primavera de 2020, que causou pelo menos 34 mil mortes na metrópole de quase 9 milhões de habitantes.Em Nova York, em especial em bairros como Manhattan e Brooklyn, onde os preços são proibitivos, tanto para aluguel quanto para compra, a moradia é um dos pontos críticos do cotidiano da capital econômica e cultural dos Estados Unidos.O novo prefeito Eric Adams fez do combate às enormes desigualdades socioeconômicas uma de suas prioridades.