Ministro de meio ambiente promete conter o desmatamento

Em entrevista a Agência France Presse, o ministro do meio ambiente, Ricardo Salles, falou sobre prazos para reduzir o desmatamento na Amazônia.

“O primeiro passo, que esse já pode ser alcançado este ano, é a partir do segundo semestre, estancar, parar o aumento do desmatamento. E a partir do ano que vem, reduzir o desmatamento para nós voltarmos a ter índices decrescentes a partir do ano que vem, diminuir.”, disse Ricardo Salles.

Dados de satélite do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE) revelam que o desmatamento na Amazônia registrou um aumento de 25% na primeira metade deste ano em comparação com o mesmo período de 2019, um recorde desde 2015.
Entre os motivos estão a extração ilegal de madeira, a mineração e a pecuária.
Para o ministro não houve desmonte da estrutura de orgãos de proteção ambiental na Amazônia como afirmam críticos do governo.

“Não houve nenhum desmonte [da proteção ambiental na Amazônia] por várias razões. Primeiro porque no Brasil, para você mudar uma lei só no Congresso que você consegue. Portanto, não há espaço nem que nós quiséssemos, nós não tentamos e não mudamos nenhuma legislação importante. Aliás, a principal legislação que diz respeito à proteção da Amazônia que é o Código Florestal continua intacta, sem nenhuma alteração.”, afirma o ministro.

Fundos globais

Aos Fundos globais, ele pediu que invistam em projetos ambientais no Brasil. Em junho, Fundos que gerenciam 4 trilhões de dólares, ameaçaram retirar suas operações do Brasil caso o Executivo não agisse para impedir o desmatamento.

“Então eu acho que a resposta do governo brasileiro é: estruturamos instrumentos para vocês, fundos, virem nos ajudar a tomar conta da Amazônia. Participar, fiscalizar, atuar junto conosco. Eu acho que essa abertura com instrumentos legais e econômicos para que eles participem já é uma grande resposta. Porque abre-se a possibilidade deles virem atuar aqui.”, disse Salles.

Salles foi alvo de duras críticas dentro e fora do Brasil ano passado por causa do aumento alarmante de incêndios na Amazônia e por seu alinhamento com as propostas do presidente Jair Bolsonaro de abrir a floresta tropical para a mineração e a indústria agropecuária.

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Foto: AFP