ONU alerta que pandemia de coronavírus agrava desnutrição infantil

Quase 7 milhões de crianças adicionais em todo o mundo podem sofrer os efeitos da desnutrição em decorrência da crise econômica e social causada pela pandemia de COVID-19, segundo uma estimativa publicada pelas Nações Unidas nesta terça-feira (28).
Antes mesmo da pandemia de coronavírus, 47 milhões de crianças sofriam em 2019 com a desnutrição, perda de peso e magreza extrema, de acordo com o Fundo das Nações Unidas para Infância (Unicef).
Com a pandemia, esse número “pode atingir quase 54 milhões de crianças nos primeiros 12 meses da crise”, o que “pode se traduzir em 10.000 mortes infantis adicionais por mês”, principalmente nos países da África Subsaariana e na Ásia, adverte o Unicef em um comunicado.
“Faz sete meses desde que os primeiros casos de COVID-19 foram relatados e está cada vez mais claro que as consequências da pandemia estão prejudicando as crianças mais do que a própria doença”, comenta a diretora executiva do Unicef, Henrietta Fore.
“A pobreza e a insegurança alimentar aumentaram. Os serviços essenciais e as cadeias de suprimentos foram interrompidos. Os preços dos alimentos dispararam. O resultado é que a qualidade do regime alimentar das crianças diminuiu e as taxas de desnutrição aumentaram”, continua ela.
O Unicef se baseia em uma análise publicada pela revista médica The Lancet, na qual os pesquisadores alertam para as consequências da desnutrição ligada à pandemia de COVID-19 nas crianças.
“O profundo impacto da pandemia de COVID-19 sobre a nutrição de crianças pequenas pode ter consequências intergeracionais”, estimam, temendo que isso prejudique “o crescimento e o desenvolvimento dessas crianças”.
Esses pesquisadores fizeram estimativas para 118 países de baixa e média renda.
Segundo eles, a crise alimentar causada pela COVID-19 poderia aumentar em 14,3% a prevalência de perda de peso moderada ou grave em crianças menores de 5 anos.
Em uma carta aberta, também publicada pela revista The Lancet, o Unicef e três outras agências das Nações Unidas – OMS (Organização Mundial da Saúde), FAO (Alimentação e Agricultura) e PAM (Programa Mundial de Alimentos) – pedem ações imediatadas para conter a crise alimentar.
Tais organismos estimam em 2,4 bilhões de dólares as necessidades para proteger as crianças em maior risco.
“Devemos estabelecer ações e investimentos substantivos para a nutrição, a fim de impedir a crise da COVID-19 e suas repercussões na fome e na desnutrição infantil”, defendem essas organizações.

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