Os riscos da Lagoa Azul que atraiu visitantes no RJ

Um espaço conhecido como Lagoa Azul, em Tanguá, na Região Metropolitana do Rio, tem atraído muitos visitantes para um mergulho no verão. Contudo, o espaço está interditado há anos porque a água tem restos de produtos químicos e pode causar riscos para a saúde dos banhistas desavisados.

O tom azul turquesa da água e o paredão de pedras chamam a atenção dos visitantes para o lugar tido como paradisíaco. Mas a origem de como o espaço se formou traz riscos à saúde.

De 1978 a 2015, a mineradora Sartor explorou o mineral fluorita na região. A água da chuva se acumulou na cratera, que se formou nesses 37 anos de atividade. Essa água em contato com elementos químicos, como alumínio, manganês e flúor deixou o tom azul ou esverdeado.

“A exposição a longo prazo a uma água com alta concentração de ácido fluorídrico pode gerar no corpo humano algumas doenças relacionados a esse tipo de material de composto químico. Florose é um exemplo, aumento de cálcio no sistema renal. São algumas doenças relacionadas a exposição ou até mesmo ao consumo dessa água que não é própria para consumo, não é própria para banho e o local não é próprio para visitação”, disse Marcelo Lemes, professor de geomorfologia e geografia.

Risco de deslizamento de pedras

A lagoa tem cerca de 30 metros de profundidade e rochas pontiagudas no fundo. Como o local não é reconhecido como área de ecoturismo pela prefeitura, não há equipes de resgate e salvamento. Além disso, há risco de deslizamento de pedras.

“A Defesa Civil mantém vistoria constante no local orientando a população para que não utilize o local, não tome banho naquela água. A gente tem naquele paredão vários pedaços de rocha soltos que podem despencar a qualquer momento”, disse Paulo Miranda, coordenador de Defesa Civil de Tanguá.

A secretaria de Meio Ambiente de Tanguá diz que abriu um diálogo com os donos do terreno para regularizar a visitação.

“A gente está fazendo a retirada das placas de acesso. O local está interditado (..) Por parte do proprietário está correndo uma ação na justiça para que ele retome a posse do terreno e futuramente numa ideia hoje do governo que se torne uma área de conservação. Fomentando corredor de mata atlântica”, disse Bernardo do Carmo Bastos, secretário do Meio Ambiente de Tanguá.