Protestos contra o poder militar no Sudão deixam três mortos

Cartum (AFP) – Três manifestantes morreram nesta quinta-feira (6) durante os protestos no Sudão contra os militares que chegaram ao poder com um golpe militar há mais de dois meses, informaram os médicos.  Um manifestante morreu depois de receber “um tiro na cabeça” e o outro foi baleado na pélvis na cidade de Omdurman, em frente à capital Cartum, informou o Comitê de Médicos, uma organização independente.O terceiro morreu no norte de Cartum após receber tiros no peito, detalhou a organização. Esses números aumentam para 60 as pessoas que morreram pelas mãos das forças de segurança desde o golpe de Estado de 25 de outubro de 2021, segundo os médicos. Esse golpe, liderado pelo chefe do exército, o general Abdel Fattah al Burhan, encerrou a transição para um governo civil pleno, quase dois anos depois da queda do ditador Omar al Bashir, que estava há três décadas no poder.O primeiro-ministro e rosto civil da transição Abdalá Hamdok foi primeiro detido e depois reinstalado pelo general Burhan um mês depois do golpe.Mas em 2 de janeiro renunciou após um dia de manifestações violentamente reprimidas. Nesta quinta-feira, milhares de sudaneses foram às ruas novamente para protestar contra o governo militar. Segundo testemunhas, as forças de ordem lançaram gás lacrimogêneo contra os manifestantes que avançavam até o palácio presidencial e a sede do exército em Cartum.”Não há interesse em prolongar o vazio estatal”, disse nesta quinta-feira Taher Abouhaga, um dos assessores de Burhan, citado pela agência oficial de notícias Suna.”Este vazio deve ser preenchido o mais rápido possível”, acrescentou, sugerindo que o governo estava se preparando para nomear um novo primeiro-ministro.Estados Unidos, União Europeia, Reino Unido e Noruega pediram na terça-feira aos militares que não nomeassem um novo chefe de governo unilateralmente.Isso “prejudicaria a credibilidade” das instituições de transição “e correria o risco de mergulhar o país no conflito”, alertaram.Na quarta-feira, o chefe da diplomacia americana Antony Blinken pediu em uma mensagem no Twitter aos policiais que “deixem de usar a força letal contra os manifestantes”. O general Burhan ainda promete celebrar eleições em julho de 2023.