Moscou (AFP) – Os dois principais colaboradores do líder opositor russo preso Alexei Navalny foram incluídos, nesta sexta-feira (14), na lista de “terroristas e extremistas” do serviço russo de Inteligência financeira, o Rosfinmonitoring.A partir de agora, Ivan Jdanov e Leonid Volkov, ambos exilados no exterior, são considerados “terroristas e extremistas”, segundo a lista do serviço russo de inteligência financeira Rosfinmonitoring, consultada pela AFP.”Somos pioneiros para este tipo de estupidez”, reagiu Jdanov no Twitter.  A lista de Rosfinmonitoring inclui milhares de pessoas, mas também centenas de organizações islâmicas, religiosas e ultranacionalistas proibidas na Rússia. Entre elas estão, por exemplo, os talibãs e o grupo extremista Estado Islâmico. As entidades e pessoas designadas sofrem o congelamento de suas contas bancárias.Os dois opositores, de 33 e 41 anos, estavam encarregados do Fundo da Luta contra a Corrupção (FBK) de Navalny e da rede regional de sua organização, até serem proibidas pela Justiça russa em junho de 2021.A decisão da Justiça provocou o exílio em massa dos altos cargos da organização e aqueles que decidiram ficar foram praticamente todos presos.Desde setembro, Jdanov e Volkov também estão na mira das autoridades em meio a uma investigação por “extremismo”. Além disso, o pai de Jdanov, que permaneceu na Rússia, foi detido em relação a um caso de “fraude”. Segundo os opositores, esta é uma forma de castigar seu filho.  – Ano sombrio para a oposição -Alexei Navalny foi vítima de um envenenamento em agosto de 2020 e acusou o Kremlin de ser responsável pela sua intoxicação. Foi detido assim que voltou para a Rússia em janeiro de 2021, após meses de convalescença na Alemanha.A Rússia nunca abriu uma investigação sobre a tentativa de assassinato, afirmando que não há pistas e que Berlim nunca compartilhou os exames médicos sobre o caso de Navalny.O ativista, de 45 anos, cumpre uma pena de dois anos e meio em uma colônia penitenciária a quase cem quilômetros de Moscou por um caso de fraude, que ele classifica como “político”.Mas também está ameaçado por uma condenação por “extremismo”, o que pode levá-lo a passar muitos anos na prisão.Após a repressão do seu movimento, houve uma crescente pressão sobre os veículos de comunicação críticos ao Kremlin e sobre as ONGs, as quais foram classificadas como “agentes estrangeiros”, um status que dificulta seu trabalho e leva a graves problemas legais.Em dezembro, por exemplo, a emblemática ONG Memorial, pilar da defesa dos direitos humanos na Rússia, foi proibida.Na terça-feira, o escritor satírico Viktor Shenderovich, símbolo da liberdade de expressão antes da chegada de Vladimir Putin ao poder, anunciou que fugiu da Rússia com medo da repressão.A sentença contra Navalny provocou uma onda de condenações internacionais e novas sanções ocidentais contra Moscou. Em apoio, o Parlamento Europeu concedeu a Navalny em 2021 o Prêmio Sakharov da Liberdade de Consciência.