Trump percorre os EUA com promessas de vacina e recuperação econômica

Donald Trump iniciou nesta terça-feira(08) uma viagem para Flórida, Carolina do Norte, Michigan, Pensilvânia e Nevada na tentativa de conquistar os votos de seu rival democrata Joe Biden, que apesar de seu perfil discreto lidera as pesquisas para as eleições de 3 de novembro nos Estados Unidos.
Oito semanas antes das eleições, o presidente visita Júpiter, na Flórida, para destacar, em suas palavras, o progresso ambiental alcançado durante sua gestão neste importante estado.
Diante da pandemia de covid-19, que deixou mais de 189.000 mortos na maior economia do mundo, com níveis históricos de desemprego, o milionário republicano carrega uma dupla promessa: a chegada iminente de uma vacina e uma recuperação exponencial da economia.

Trump culpa os democratas por obscurecer a crise sanitária e impor restrições excessivas às cidades e estados motivados por um cálculo eleitoral e não pela saúde pública.

“Os democratas vão abrir seus estados em 4 de novembro, um dia após a eleição. Esses fechamentos são ridículos e só servem para prejudicar a economia antes da eleição que é talvez a mais importante de nossa história”, disse ele no Twitter antes de começar sua turnê.

Os republicanos acusam Joe Biden e sua companheira de chapa, Kamala Harris, de politizarem a busca por uma vacina contra a covid-19, depois que a senadora afirmou não acreditar em “uma palavra” do presidente republicano a respeito.
Para Kayleigh McEnany, porta-voz da Casa Branca, os democratas disputam um jogo perigoso ao lançar dúvidas sobre uma questão tão delicada.
A funcionária insistiu à Fox News que Trump segue as recomendações dos cientistas, algo que, segundo ela, fez desde o início, esquecendo várias polêmicas entre o presidente e a comunidade científica.

Surge a possibilidade de um acordo no Congresso

Em entrevista à Fox Business, Mark Meadows, chefe de gabinete da Casa Branca, expressou otimismo quanto à adoção, antes das eleições, de um novo plano de ajuda, afirmando que apesar das profundas diferenças os dois partidos podem alcançar um acordo.
Em março, o Congresso aprovou um projeto de lei de emergência para desbloquear 2,2 trilhões de dólares, com 500.000 adicionais até o final de abril, para lidar com uma crise sem precedentes.
Pela manhã Donald Trump multiplicou suas postagens no Twitter, em uma série agressiva, com várias mensagens à imprensa.
O 45º presidente da história dos Estados Unidos, em sua busca por mais quatro anos na Casa Branca, abandonou o estilo de campanha caro implantado em meados do ano sob a gestão de seu diretor Brad Parscale, que foi despedido.
Diante de relatos de uma campanha com problemas financeiros, o magnata do mercado imobiliário disse nesta terça-feira que estava disposto a gastar sua própria fortuna para tentar ser reeleito.

“Se for preciso, eu farei”, disse a jornalistas antes de viajar para a Flórida. “Custe o que custar, temos de vencer.”

Em contraste com a atividade frenética do milionário republicano, Joe Biden, 77 anos, não tem nenhuma viagem planejada para o início da semana.
Sua esposa, Jill Biden, “viajará virtualmente para Wisconsin”, informou sua campanha.
Este cenário midiático conta ainda com outro democrata muito presente: o ex-presidente Barack Obama.
Nesta terça-feira, o ex-presidente apoiou Kamala Harris em um vídeo no qual oferece dicas de campanha e de como se conectar com as pessoas.
“Vou fazer tudo o que puder e Michelle também para garantir que tudo flua nas eleições”, prometeu.

Foto: AFP