Ucrânia nega rendição de Mariupol ao governo russo

Ucrânia nega rendição de Mariupol ao governo russo | Foto: Reprodução

A Ucrânia não aceitou a proposta russa e descartou a ideia de rendição das forças armadas em Mariupol, no sudeste do país. A Rússia propôs que os militares ucranianos baixassem as armas e saíssem da cidade por meio de corredores humanitários e pediu uma resposta da Ucrânia até as 5h (pelo horário de Moscou, 23h pelo horário de Brasília) desta segunda-feira (21).

“Não podemos falar sobre a entrega de armas. Já informamos o lado russo sobre isso. Em vez de gastar tempo em oito páginas de cartas, basta abrir o corredor [humanitário]”, disse a vice-primeira-ministra ucraniana, Iryna Vereshchuk.

A cidade portuária de Mariupol vem sendo alvo constante de ataques das forças russas desde o início de março. Antes da guerra a cidade abrigava cerca de 450.000 pessoas. 

A proposta da Rússia mesmo oferecendo uma saída “segura” de Mariupol aos que se rendessem, não tinha as mesmas garantias para o restante das pessoas que estão no país. A Rússia tem sido acusada constantemente de atacar civis.

Colapso

Os ataques dos militares russos levaram a um colapso total nos serviços básicos com os moradores sem acesso a gás, eletricidade ou água. Os corpos estão sendo deixados na rua, pois não há ninguém para recolhê-los, ou é muito perigoso tentar.

A cidade está cada vez mais sofrendo o peso do violento ataque da Rússia ao país, com bombardeios dia e noite, disse o major Denis Prokopenko, do Regimento da Guarda Nacional Azov.

No  domingo (20), o Conselho Municipal de Mariupol disse que os moradores estão sendo levados para a Rússia contra sua vontade. As pessoas capturadas foram levadas para campos onde os militares verificaram seus telefones e documentos, depois redirecionaram alguns para cidades remotas na Rússia, disse o conselho. A Rússia nega as acusações.

Mariupol é um porto estratégico que fica em um trecho da costa que liga a região leste de Donbas à península da Crimeia, ambas sob controle russo desde 2014. A Rússia parece estar tentando tomar controle total da área para criar um corredor terrestre entre as duas regiões.

O presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, disse que o cerco a Mariupol, cidade portuária estratégica no sudeste do país, será considerado um crime de guerra.