Unicef denuncia que 91 crianças foram mortas e 27 mutiladas em seis meses na RDC

Cerca de 91 crianças foram mortas entre janeiro e junho em episódios de violência em Ituri, no nordeste da República Democrática do Congo (RDC), o que representa crimes contra a Humanidade – informou o Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef) em um comunicado divulgado nesta terça-feira (6).
“Alertas de violência contra crianças registrados pelo Unicef chegam de todo Ituri”, disse à AFP o dr. Ibrahim Cissé, chefe do escritório do Unicef em Bunia (Ituri).
A violência começou em maio-junho de 2019, em Djugu, onde o grupo armado Cooperativa para o Desenvolvimento do Congo (Codeco) está ativo.
Cissé informa que “91 crianças foram mortas, 27 foram mutiladas, e 13 foram vítimas de violência sexual entre janeiro e junho de 2020. Quase 18 unidades de saúde foram saqueadas, ou destruídas, enquanto ataques a mais de 60 escolas deixaram cerca de 45.000 crianças fora das salas de aula”, de acordo com o comunicado da organização da ONU.
O Unicef continua “profundamente preocupado”, porque há um déficit de financiamento de 74% em todas as necessidades humanitárias para crianças na RDC avaliadas em US$ 318 milhões.
“A província de Ituri tem atualmente 1,6 milhão de deslocados internos, a maioria dos quais mulheres e crianças que fugiram da violência, e 2,4 milhões de pessoas que precisam urgentemente de assistência humanitária”, relatou a agência.
Mais de mil civis foram massacrados desde dezembro de 2017 em Ituri, segundo a Organização das Nações Unidas, que fala em “crimes contra a Humanidade”.
Regularmente citada pela violência em Ituri, a seita político-militar Codeco diz defender os lendu, uma comunidade de Ituri, contra o “assédio” do Exército congolês e contra a suposta opressão de outra comunidade, os hema.
As milícias lendu são acusadas pelas Nações Unidas de terem matado centenas de civis hema e alur – uma terceira comunidade.
Região rica em ouro, que faz fronteira com Uganda e Sudão do Sul, Ituri foi dilacerada por um conflito entre lendu e hema entre 1999 e 2003. Milhares de pessoas foram mortas até a intervenção de uma força da União Europeia (UE).

Foto: Reprodução/ AFP