Vacinas contra Covid-19 que estão sendo desenvolvidas no Brasil

Confira o desenvolvimento dos imunizantes no Brasil.

Devido a pandemia do Covid-19, a busca por vacinas não para. Estudos no Brasil vêm sendo realizados desde o ano de 2020, por diferentes universidades. A procura por uma vacina com insumos brasileiros é um passo importante, pois pesquisadores apontam que o novo Coronavírus precisará de vacinas constantes, assim como a gripe.

No território brasileiro há 17 projetos de vacinas, mas apenas 5 estão com suas pesquisas mais avançadas. Elas são:

Butanvac, do Instituto Butantan

Atualmente o instituto localizado em São Paulo, produz a vacina chinesa Coronavac, porem os avanços da própria vacina são promissores, o Butantan pediu à Anvisa no dia 23 de abril para iniciar a fase de teste em humanos.

A instituição vem desenvolvendo o imunizante desde 2020 e conta com a ajuda de um laboratório do Vietnã (Instituto de Vacinas e Biologia Médica vietnamita) e da Tailândia (Organização Farmacêutica Governamental da Tailândia)

A Butanvac é feita de um vírus que causa uma gripe aviária conhecida como doença de Newcastle e é inofensivo em humanos. Esse vírus é modificado, e a proteína S (ou Spike) fica encarregada de revestir e carregar o novo coronavírus e é responsável pela entrada do vírus nas células. Ao ser identificada no corpo humano, a proteína estimula o sistema imune a produzir anticorpos e células de defesa, garantindo proteção no vacinado, caso ele seja infectado de verdade.

Versamune, da USP

Desenvolvida a partir da parceria da Faculdade de Medicina da USP, campus de Ribeirão Preto, com a startup paulista Farmacore e a empresa norte-americana PDS Biotechnology, a Versamune. Ela foi anunciada dia 26 de abril pelo ministro da Ciência, Tecnologia e Inovação, Marcos Pontes, ao lado do Presidente Jair Bolsonaro, e afirmou que a vacina conta com tecnologia 100% brasileira.

Segundo o ministro, as fases de testes clínicos deveriam se iniciar no mês de abril. Entretanto, no dia 28 de março, a Anvisa pediu mais dados para dar continuidade à análise do pedido de autorização.

A Versamune é fabricada a partir da réplica de um fragmento específico da proteína Spike do Sars-CoV-2, com tecnologia para acionar as células T do organismo, que são responsáveis pelas respostas antivirais do corpo.

Spintec, da UFMG

Há sete projetos de imunizantes em andamento na UFMG, dois no Instituto de Ciências Biológicas da universidade, e cinco no CT-Vacinas, com participação do Instituto René Rachou, da Fiocruz-Minas. Cada projeto utiliza uma técnica diferente. No entanto, o imunizante provisoriamente chamado de Spintec é o mais avançado.

O estudo começou a partir da modificação genética da bactéria e.coli, que recebeu partes do genoma da Covid-19 para que fosse possível produzir as proteínas S e N, que o coronavírus utiliza para infectar as células. O composto de proteínas, chamado de “quimera”, é injetado no corpo humano e induz à resposta imunológica.

Vacina da UFPR

A vacina da UFPR está em fase de testes pré-clínicos (fase que utiliza animais de laboratório),e registrou resultados similares às demais, após duas doses da vacina, os animais começam a apresentar anticorpos contra a covid-19.

Será uma vacina 100% brasileira. Atualmente para fabricar uma dose desse imunizante custa R$ 5, já no mercado internacional, o preço médio é de US$ 10 (cerca de R$ 55) por dose. A vacina usa partículas de um polímero biodegradável revestido com a proteína Spike para gerar a imunização.

Vacina da UFRJ

Dentre as demais é a vacina menos adiantada, desenvolvida no Laboratório de Engenharia de Cultivos Celulares (Lecc), do Instituto Alberto Luiz Coimbra de Pós-Graduação e Pesquisa em Engenharia da UFRJ, a vacina é recombinante, significando que o ingrediente ativo da vacina é uma proteína obtida por técnicas de engenharia genética.

O laboratório está produzindo o piloto a proteína Spike, cultivando células de mamíferos em biorreatores. A fórmula final da vacina está em estágio de protótipo.

No Ceará

Além das vacinas acima, a Universidade Estadual do Ceará (UECE), também investiu na pesquisa do imunizante chamado de HH-120-Defenser. A vacina provou eficacia de 90% nos testes em animais. A universidade cearense pediu a aprovação da Anvisa para iniciar a fase 2, no entanto ainda não recebeu resposta.

Um dos pontos positivos da HH-120-Defenser é o baixo custo em sua produção. O pesquisador Ney Carvalho afirmou que, “Acreditamos que a concentração de vírus vacinal que queremos colocar por dose é suficiente para que em um frasco, que custa R$ 11 no comércio local, seja capaz de fornecer 250 doses. Assim, cada dose custa R$ 0,044 centavos. Se levarmos em conta que temos 240 milhões de pessoas no Brasil, então seriam necessárias 480 milhões de doses. Isso significa que a imunização de todo o país, com duas doses, custaria pouco mais de R$ 21 milhões. A dose de vacina mais barata comercializada hoje é a CoronaVac, que custa R$ 16 cada dose”.